17 historias, iguarias com insetos no Brasil

“Cuando el rio suena, agua lleva” tem sua origem na cultura espanhola e depois levada na conquista espanhola para o México.

Este ditado explica que os rumores podem ter fundamentos e devemos estar atentos. Em outras palavras, nos diz que, de qualquer pista, um fato pode ser deduzido; popularmente significa que quando alguma coisa ou alguém são falados especificamente é porque existe algo, não apenas por invenção ou mito.

Você conhece a palavra “Entomofagia” refere-se ao consumo humano de insetos como fonte alimentar.  Pode-se dizer que a entomofagia surgiu com os primeiros hominídeos e atualmente está presente em mais de 100 países ao redor do globo.

A fome, provavelmente será um dos maiores problemas que a humanidade enfrentará no futuro. Segundo as perspectivas da FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e alimentação, de 2000 a 2030, o mundo terá que aumentar a produção per capita de carne em 20%. Há uma perspectiva que até 2030, a produção de aves deva crescer em torno de 40,4%, a bovina 12,7%, a de peixes 19% e a suína 20%, porém em níveis insatisfatórios para alimentar uma população em ritmo acelerado de crescimento (ABRAVES, 2013).

 

Para alimentar a população mundial em constante crescimento, a produção de alimentos precisa ser cada vez mais eficiente, sendo precoce e tendo alta produtividade, no entanto, utilizando para isso o mesmo espaço de produção ou um espaço ainda mais reduzido. Isto exerce uma grande pressão sobre os já limitados recursos ambientais, estimulando a produção de vários outros produtos deletérios a população e ao meio ambiente.

 

Valores Nutricionais

Como podemos verificar no  gráfico:

Fonte: Globo rural

 

Então, vamos nos nutrir, qual vai ser seu cardápio de hoje?

No México

Na “Historia general de las cosas de Nueva España” obra enciclopédica sobre as pessoas e a cultura do centro de México foi descrita pelo frei Bernardino de Sahagún (1499-1590), foi um missioneiro franciscano que chegou a México em 1529, oito anos depois de que o explorador e conquistador espanhol Hernán Cortés chegara a terras astecas em 1521.

Um mergulho e viagem no tempo, as descrições em castelhano assim também o detalhe das experiencias de Bernadino são sem duvida alguma toda uma obra de arte.

Parrapho octavo de los alacranes, y otras savandijas semejantes como arañas fo 92.

Parrapho nono de diversas maneras de hormigas fo 94.

Parrapho decimo de outras sabandijas de la tierra fo 96.

Parrapho undecimo de las abejas que haçen miel que ay muchas diferencias dellas y de las mariposas fo 99.

Parrapho duodecimo de muchas diferencias de langostas y de otros animales semejantes y de los bzugos fo 101.

Parrapho 13 de diversas maneras de gusanos fo 103.

Parrapho14 de las luciernagas que alumbran de noche que ay mucha diferencia dellas, y de las moscas y moscardones y mosquitos fo 106.

Ay otras hormigas; que se llaman Tlilazcatl o Tzicatl: crianse  en tierras frias son pequeñas ellas, son negras, y muerden y sus huevos son blancos: en algunas partes los comen, y por esso las llaman azca molli.

Ay otras langostas que llaman Xopanchapolli, que quiere dezir: langostas de verano son grande y gruesas, no vuelan, sino andan por tierra: comen mucho los frijoles, unas dellas son prietas, otras pardillas, otras verdes, suelen las comer.

Ay otras que se llaman, tlalchapolí, o ixpopoichapolí: que quiere decir, langostas ciegas, destas ay muchas y son pequenas, y andan por los caminos; y no se apartan aunque las pisen, son de comer.

Ay unos gusanos, que se llaman, meocuilí: que quiere dezir, gusanos de maguey e son muy blancos; crianse en los magueyes aguieran los metense dentro, y van comiendo y hechan la freza por el agujerillo, por donde entraron, son muy buenos de comer.

 

 Ay otros gusanos, que se llaman Cinocuilí: que quiere decir, gusanos del mayz: crianse dentro de las mazorcas, quando verdes, y comen las y destruyen las, sô de comer.

 

Fonte: SAGARPA

 

Fonte: SAGARPA

 

No Brasil

Os dados etnográficos sobre a pratica da entomofagia remonta-se no século XVI, quando os primeiros cronistas fizeram os primeiros cadastros da natureza y das atividades indígenas de aquela época. Em 1542, Cabeza de Vaca (in Noelli, 1993) descreveu assim o consumo de larvas e outros insetos pelos indígenas do estado de São Paulo.

Estes insetos eram brancos, grossos e compridos como um dedo, dos quais as pessoas assavam para comer, e saia deles muita gordura.

Os números de especies de insetos comestíveis no Brasil estão subvalorizados.

DeFoliart (2005) só reporta sete ordenes, 14 famílias, 19 gêneros e 23 especies, mientras que Pereira (1974) reporta 54 especies na região amazônica.

Posey (1987a, 1987b) brevemente discute as implicações culturais e ecológicas dos insetos como alimento e fazem um resumo do uso de insetos pelos povos indígenas de Brasil.

Recentemente, Bordotti (2001) fez uma análise dos dados bibliográficos publicados entre 1560 à 1999 das diversas formas de utilizar los insectos pelas populações da região neotropical, entre elos a entomofagia.

Segundo pesquisas algumas comunidades indígenas na atualidade, ainda consumem insetos como alimentação.

  • Desâna de Amazonas
  • Maku de Amazonas
  • Bakairi de Mato Grosso
  • Enawenê-Nawê de Mato Grosso
  • Tapirapé de Mato Grosso
  • Tukuna de Minas Gerais
  • Araweté de Pará
  • Mundurucu de Pará
  • Sateré-Maué de Pará
  • Suruí de Rondônia
  • Nhambiquara de Rondônia
  • Uaicá de Roraima
  • Guarani M’byá de São Paulo
  • Tupinambá de São Paulo
  • Xokleng de Santa Catarina

E onde estão os brasileiros de carne e osso, será que encaram?

Acredito você ainda não sabe que consume com toda naturalidade insetos na sua vida diária, sem fazer repulsão alguma, por exemplo, nos batons, doces, embutidos e alguns outros como aditivo natural que dá a cor vermelha e aparece nos rótulos sob o nome de carmim ou E-120!

O E-120 obtém-se a partir de uns insectos chamados de Cochonilhas (Dactylopius coccus). Estes insectos são originários do México e são parentes próximos dos pulgões e das cigarras. Estes alimentam-se da seiva de cactos conhecida no Brasil, como as palmas forrageiras, raquetes ou orelhas de elefante, das especies opuntia fícus-indica e nopalea cochenillifera, sendo portanto parasitas deste tipo de plantas.

Provavelmente foi introduzida no Brasil durante o período de colonização para a produção da cochonilha do carmim, que não prosperou.

No Manual do Distillador e Licorista de 1883, menciona-se  o uso da Cochonilha para tingir os licores.

267.- Rosa – Em 1/2 litro de água a ferver deite-se pouco a pouco  40 grammas de cochonilha mestiça em pó e 1,5 gramma de pedra hume pulverizada. Depois de uma fervura de cinco minutos tire-se do fogo , e côe-se quando esfriar.

269.- Violeta – Ponha-se a digerir durante alguns dias em 2 Kilogramos de espirito 30 grammas de cochonilha pulverizada, filtre-se, e junte-se 5 grammas de pedra hume queimada e 10 grammas de espirito de ammoniaco.

Mas, já em 1893, Barbosa Rodrigues recomendava o plantio de O. fícus indica para ser usada como forrageira para alimentação do gado nas épocas de seca (Menezes et al., 2005).

17 historias, iguarias com insetos no Brasil.

Assista as matérias para conhecer um pouco mais sobre os insetos na culinária!

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2014-nov-27 Taubaté tem comércio de içá em rede social

2013-mai-13 ONU sugere comer insetos pra reduzir fome no mundo

2012-nov-21 Farofa de içá é prato da culinária de algumas cidades do Vale do Paraíba

2012-jul-20 Empresa de MG planeja usar insetos na gastronomia

Bibliografia:

ALEXANDER, Peter, Could consumption of insects, cultured meat or imitation meat reduce global agricultural land use, Global Food Security 15: 22–32, 8 April 2017

JONGEMA, Yde, Lista de insetos comestíveis do mundo, Departamento de Entomologia da Wageningen University & Research, Holanda, 1 de abril de 2017

VANTOMME, Paul, La contribución de los insectos a la seguridad alimentaria, los medios de vida y el medio ambiente, FAO, Roma, I3264E/1/04.13

COSTA NETO, Eraldo, Los Insectos Comestibles de Brasil: Etnicidad, Diversidad e Importancia en la Alimentación, Boletín Sociedad Entomológica Aragonesa, n1 38: 423−442, 2006

RAMOS-ELORDUY, Julieta, Insectos comestibles de Mèxico, Anales Inst. Biol. UNAM, Ser. Zool. (69) 1:65-104, 1998.

SAHAGUN, Bernardino de, El Códice Florentino. Libro XI: de las cosas naturales, México, 1577

2 comentários em “17 historias, iguarias com insetos no Brasil

    • Marco Meléndez Autor do artigoResponder

      Hi, Ophelia

      Thanks for your contact and comment.

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